VAMOS CONTAR HISTÓRIA (episódio 1)
Quando eu abro meu celular no You Tube, várias histórias de superação aparecem. Geralmente de pessoas com muitos desafios financeiros da família que passaram fome e inúmeras privações na infância. São histórias realmente impressionantes até pela capacidade de sair dessa condição, virar o jogo e se tornar um vencedor. Acontece que nem sempre essa é a única história de superação. Mesmo nascendo em berço esplêndido algumas pessoas tem que se superar e como!
Por exemplo; Eu não posso contar que passei fome ou qualquer tipo de provação na infância. Pelo contrário! Minha infância foi cercada de muito conforto e abundancia. Manaus era pequena, todos se conheciam, éramos alegres e saudáveis. Andávamos descalços, corríamos, tirávamos fruta do pé, brincávamos muito em turmas e o maior luxo era ter um gerador para não faltar luz em casa. Os domingos eram sagrados na casa do meu avô. Mamãe bordava os melhores vestidos para essa ocasião e meu irmão lustrava os sapatos. Apesar de NADA faltar não tinha desperdícios. Era um sapato de festa e o outro de escola. Como minha família tinha um nome de peso e tinha muitos negócios, quando papai me levava nas lojas com ele eu era recebida como; “Chegou a princesinha”. Confesso que fui crescendo sem perceber que a vida requer um esforço próprio e foco. Na verdade nunca percebi que um dia aquilo podia acabar ou se transformar. Não havia URGÊNCIA, aquele modos vivente parecia eterno.
Com meus 12 anos nos mudamos para o Rio de Janeiro, para um apartamento em Copacabana. Me lembro que quando entrei minha primeira frase foi: “É aqui que vamos morar”? o apê era muito pequeno pra quem estava acostumada com espaço. Lá eu não era mais a “princesinha”, ninguém me conhecia e tive que aprender a andar de ônibus e a conhecer a vida sem “proteção”. A sorte é que morávamos no final de uma rua que mais parecia um condomínio e tínhamos uma turma maravilhosa. Lá vivi os primeiros amores, as primeiras dores e o sonho de ser artista. Nunca tive a preocupação e o interesse em trabalhar. Papai era o provedor e eu achava que estava tudo certo. Fui crescendo e as boutiques eram o “MUST”, todos queriam trabalhar nelas. Gente bonita, novos conhecimentos e dava STATUS. Me lembro que fiz um teste pra uma das famosas e não fui contratada. Aquilo foi um choque pra mim, Como assim? Tempos depois descobri que não tinha entrado porque o teste acusou que eu não conseguiria ficar num lugar fechado muito tempo. Era verdade! Sou dinâmica, jamais poderia trabalhar num escritório por exemplo. A vida seguiu, fui fazendo cursos de teatro paralelo a minha faculdade, fui me enfronhando até conseguir fazer o primeiro espetáculo no Teatro Sesc da Tijuca dirigido pela Zezé Polessa . O texto era do Edinei Azancoti aqui de Manaus e já falava da preservação da floresta; “AZUL LATA QUE VERDE MATA”.



Continua outro dia.


